ME DÁ UM ABRAÇO?

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ABRAÇO
Abraço é aconchego gostoso,
Afago doce, caloroso,
Que de tão espontâneo ninguém percebe,
Que é troca que logo se recebe.
Troca de boas energias,
Que tem sabor, traz alegria,
Abraço é coisa de quem ama,
E vive em perfeita sintonia.
Abraço é mais que se tocar,
É uma forma de se dar,
Abraço é fala sem palavras,
E como é bom poder assim falar.
Falar apenas com o coração,
Nesta entrega que faz tanto bem,
E tão rápida é a troca,
Que quando um vai, o outro já vem.
Abraço é gesto de ternura,
Um carinho que perdura,
Abraço é beijo na alma,
É carícia da forma mais pura.

Célia Jardim

ALEGRIA NO CHÃO

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Não lamento nada do que fiz
por isso nunca fui um infeliz
nenhum arrependimento me rói.
Hoje falo com toda sinceridade
não mergulho em felicidade
mas o passado, em nada me dói.

NO PASSADO

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Eu fui. Mas o que fui já me não lembra:
Mil camadas de pó disfarçam, véus,
Estes quarenta rostos desiguais.
Tão marcados de tempo e macaréus.

Eu sou. Mas o que sou tão pouco é:
Rã fugida do charco, que saltou,
E no salto que deu, quanto podia,
O ar dum outro mundo a rebentou.

Falta ver, se é que falta, o que serei:
Um rosto recomposto antes do fim,
Um canto de batráquio, mesmo rouco,
Uma vida que corra assim-assim.

José Saramago, in “Os Poemas Possíveis”

URBANIDADES

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Um traço

Um traço
Nada mais

Qualquer gesto
Qualquer moldura
Desmantela tudo
o que este verso traz

Isso aqui é muito simples

Isso aqui não vai entrar em cartaz

É apenas um traço
Nada mais

LUZES

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Descobri naquele instante o sentido da luz.
As centelhas bailavam ao meu redor colorindo meu céu.
Agora sim, eu era capaz de tudo entender.
Não havia mais mistérios…
O enigma deixava de existir.
Luzes brilhavam em todas as direções,
anunciando realizações e glorias.